quinta-feira, 14 de julho de 2011

Jornalista da BBC liga Teixeira e Protógenes à 'pizza conection' da máfia

Jornalista da BBC liga Teixeira e Protógenes à 'pizza conection' da máfia
Foto: DIVULGAÇÃO

“PROTÓGENES TEM CONTA ABERTA PELA FIFA, VIA RICARDO TEIXEIRA, EM LUGANO, O LUGAR MAIS FAMOSO DO MUNDO PARA SE LAVAR DINHEIRO. POR QUE?”, PERGUNTA ANDREW JENNINGS, O REPÓRTER QUE A FIFA NÃO ACEITA EM ENTREVISTAS OFICIAIS

Claudio Julio Tognolli_247 – O prestigiado jornalista inglês Andrew Jennings, da BBC, diz que o deputado federal e delegado afastado da PF, Protógenes Queiroz, deve ter investigada a sua nomeação como consultor da Fifa na cidade de Lugano, na Suíça. A nomeação de Protógenes foi feita pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Autor do livro “Jogo Sujo”, pela Panda Books, Jennings revelou ao Brasil 247 que Teixeira, João Havelange e a Fifa concordaram em pagar RS$ 10,5 milhões à justiça suíça, em 2010, para não serem condenados por corrupção.
“A Fifa fica em Zurique, não me estranharia que alguém fosse nomeado lá em Zurique, mas Lugano fica muito longe de Zurique. Lugano é uma das cidades mais famosas do mundo em que o dinheiro da máfia italiana é lavado. E estou falando da máfia de Palermo. Essa conexão entre Lugano e Palermo é conhecida como “Pizza Connection”. A abertura de arquivos da Máfia durante todos esses anos mostra que o dinheiro da organização, oriundo da heroína remetida aos Estados Unidos, era lavado tradicionalmente, e é, em Lugano. Para que o dinheiro volte limpo para Palermo, ele é usado em operações de lavagem em Lugano. É muito interessante que Teixeira tenha nomeado uma autoridade ali”, disse Jennings em entrevista exclusiva ao Brasil 247.
A maior obra já feita pelo jornalismo sobre as ligações da cidade de Lugano com a máfia de Palermo se chama “The Sixth Family”. Para você conhecer as ligações de Lugano com a Máfia, citadas na obra, visite este link: http://bit.ly/nQNvWQ
Para você entender o que Jennings sugeriu, é necessária uma breve cronologia: o ex-delegado Protógenes foi eleito deputado federal pelo PC do B com 94.906 votos — estes votos, somados às sobras da estrondosa votação de seu colega de coligação Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), lograram-lhe a vitória.
Sabe-se que, em 10 anos de carreira como delegado da Polícia Federal, com um salário de R$ 14 mil, Protógenes lobrigou um patrimônio de sete imóveis, conforme ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral. Embora a relação de bens declarados ao TSE some apenas R$ 834 mil, somente um dos imóveis constantes da lista — uma casa no Mirante de Camboinhas, em Niterói — segundo especialistas do setor imobiliário e, de resto, para qualquer observador, vale mais de R$ 1 milhão.
Mesmo protegido por um mandato parlamentar, Protógenes ora é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal: na mais alta corte nacional ele é citado como incurso nos crimes de interceptação telefônica ilegal, prevaricação e corrupção passiva – afinal, seu patrimônio teria aumentado vinte vezes depois que virou delegado federal. Protógenes teve seu nome elevado ao STF, como suspeito, mediante despacho que leva a chancela lustrosa do juiz federal Toru Yamamoto, que encaminhou o Inquérito 3.152 ao STF quando Protógenes tornou-se deputado, ano passado.
A declaração de renda remetida por Protógenes ao Tribunal Superior Eleitoral revela que ele guarda em casa R$ 284 mil em dinheiro e que tem pouco mais de R$ 10 mil na conta de Lugano, na Suíça. Entre os sete imóveis que admite ser dono, três deles foram doados pela mesma pessoa, o delegado aposentado José Zelman. Outros dois, que ele usa como residência própria, não foram declarados ao TSE. Protógenes informa também as datas de aquisição de todos os seus bens, menos daqueles adquiridos enquanto ocupava o cargo de delegado da Polícia Federal.
Três imóveis que integram o patrimônio do delegado-deputado foram presentes que Protógenes Queiroz ganhou de seu "padrinho", o delegado aposentado da Polícia Civil do Rio de Janeiro José Zelman. O hoje deputado ainda era delegado quando Zelman comprou e doou os imóveis a ele. As doações foram feitas no dia 10 de março de 2006, de acordo com as Certidões de Registro dos imóveis, apesar de a data não constar da declaração à Justiça Eleitoral.
Protógenes diz que, à época do registro de sua candidatura, sua conta em Lugano somava R$ 11.912,96. O advogado de Protógenes, Adib Abdouni, explica que a conta foi aberta pela Fifa para reembolso de despesas de passagens e alimentação.
CONFRONTO - Confrontado com esses dados, o jornalista da BBC Andrew Jennings foi categórico. “Se você mora em Lugano, obviamente você tem que trabalhar nesse sistema bancário. Lugano tem uma tradição muito antiga de ser vasculhada pelas autoridades em busca de contas bancárias sujas. Esqueça, em Lugano, das lindas montanhas e dos lindos lagos. É uma cidade basicamente voltada para a lavagem de dinheiro. Por que você dá um cartão de crédito para uma autoridade brasileira em Lugano, se você tem todas as cidades em todo o mundo para terem como base esse cartão de crédito doado? Nenhum estrangeiro, fora os italianos, costuma ter uma conta bancária com cartão de crédito em Lugano. Por que isso?”, pergunta Jennings.
Conheça os bens declarados por Protógenes Queiroz à Justiça Eleitoral, amealhados supostamente com um salário de RS$ 14 mil:
Casa E Terreno, Lotes 6 E 7, Rua 143 Quadra 297, Mirante De Camboinhas, Nteroi, Ad. Em 19/06/1993- R$ 200.000,00
Casa No Lote 24 Quadra 90, Rua Macae Trindade, São Gonçalo, Niteroi, Ad. Em 20/05/1965 - R$ 50.000,00
Ações Ordinárias 5.191 E 13.522, Preferenciais Da Telebras - R$ 1.350,00
Dinheiro Em Espécie - R$ 284.000,00
Apto. 204, Rua Jardim Botanico Nº. 544, Ad. Em 20/09/1993 - R$ 100.000,00
Apto. 504 Sqn 116 Bloco J - Adq De Jorge Peles Sobrinho E Outros - R$ 76.045,00
Apto. 24 E Vaga De Garagem No 18 Situado Na Estrada Alexandre Migues Rodrigues 547 - Guarujá – Adq. através de doação de José Zelman - R$ 54.082,32
Apto. 54 Situano No Edificio Foz Resdence Serv Foz De Iguaçu – Adq. através de Doação de José Zelman - R$ 8.767,58
Vaga De Garagem No 4 Localizada No Sub-Solo Do Edificio Foz Residence Service – Adq. através de doação de José Zelman - R$ 2.325,03
Caixa Consórcios S/A - Administradora De Consórcios - Contribuições Efetuadas Até 31/12/07 - R$ 11.912,96
Comecard Corner Bank Ltd - Agência Lugano (Conta aberta pela Fifa em setembro/2008 para reembolso de despesas com passagens aéreas e alimentação -R$ 11.912,96
Saldo VGBL - R$ 34.074,00
Valor total dos bens declarados: R$ 834.469,85

terça-feira, 12 de julho de 2011

A quem interessa um Judiciário fraco e subserviente?

Jean Lafitte 

A magistratura federal vive momentos angustiantes. Os vencimentos dos juízes federais não têm aumento real, como os de qualquer trabalhador, há mais de 5 anos. Pouquíssimos são aqueles que dispõem de carro oficial,  e, quando têm, são veículos velhos e totalmente sem condições de uso. Mesmo os juízes federais que trabalham em comarcas do interior utilizam seus automóveis próprios. Ao contrário dos parlamentares, que legislam em causa própria e possuem as mais variadas verbas de representação, os juízes federais não recebem nem auxílio-combustível.
A imprensa noticia, cada vez mais, que os juizes federais ganham R$ 21 mil por mês, mas ninguém tem coragem de noticiar que 40% desse valor não entram no bolso dos juízes e vão direto para o “Leão”, o que resulta num vencimento real de aproximadamente R$ 15 mil.
Apesar de a Constituição lhes assegurar autonomia administrativa e financeira (art. 99), o aumento dos vencimentos dos magistrados, às vezes simples correções, está condicionado a um beija-mão interminável que passa necessariamente pela “boa-vontade” do Legislativo e do Executivo, que, assim ficam donos das suas almas, tais como Mefistófoles, no “Fausto”de Goethe.
Será que ninguém percebe que isso é catastrófico para a independência e altivez do Poder Judiciário?  Será que ninguém percebe que a independência do Poder Judiciário é, antes de tudo, garantia do cidadão?
Muito se fala nas prerrogativas dos juízes (vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio). Ninguém, contudo, as explica. Faço, então, eu, a explicação, correndo o risco, é claro de ser apedrejado pela opinião pública, tal como na música do Chico, como fizeram com a pobre “Geni”.
Os cidadãos que reclamam do arbítrio do Estado já se deparam com a total ausência da indispensável “paridade de armas”. Os atos da administração pública, presumem-se legítimos. A União, os Estados, as autarquias e por aí vai, possuem prazo em dobro para recorrer e em quádruplo para contestar, em qualquer ação movida por um cidadão. Se no final da sua “via crucis”, ganhar a ação contra o Poder Público (e que Poder!) ainda terão eles, os incautos que ousaram contender com o Poder Público, que amargar a fila dos precatórios, verdadeiro purgatório, de fazer corar de inveja Dante Alighieri.
Podem jogar pedra à vontade, mas as garantias da magistratura são garantias do cidadão contra o arbítrio. Imaginem os senhores se os juízes pudessem ser trocados, mexidos, movidos, ao talante do governante de ocasião. E se, ao julgar uma causa grande contra a União, um juiz (propenso a reconhecer o direito do cidadão em confronto com o do Estado) pudesse ser removido pelo tal governante para a Conchinchina? Pois, é. Só falta isso. Não falta mais nada.
A magistratura há anos não recebe um aumento real. E quando nisso se fala, é pedra pra todo o lado. Cada vez mais os juízes federais estão à mercê da boa-vontade do Executivo e do Legislativo. Quem perde, é você, cidadão. Quando um juiz ganha mal, quem perde é você, cidadão. Quando a dignidade do Poder Judiciário é conspurcada, quem perde é você, cidadão. Quando o Poder Judiciário fica “devendo um favorzinho” ao Executivo e ao Legislativo, quem perde é você, cidadão, porque no Jogo dos Poderes da Fábrica de Brinquedos Estrela, “não tem almoço grátis” para ninguém.
Os grandes ditadores da história da humanidade, de esquerda ou de direita, sempre começaram por empreender um objetivo em comum, a fim de garantir a concentração do Poder: enfraquecer o Judiciário, até torná-lo subserviente. De Hitler a Idi Amim Dada, passando por Slobodan Milosevic, o ponto de partida é enfraquecer o Judiciário.
Falta pouco para governadores entrarem em gabinetes de presidentes de Tribunais “exigindo decisões extra-autos”, falta muito pouco para o Executivo e o Legislativo se intrometerem de vez no Judiciário. Mas o que o País precisa é de um Judiciário forte, é de um Sir Edward Coke, que proclamou, já em 1608, que nem o Rei estava acima da Lei (even the king is not above the law). É de um John Marshall, Chief Justice da Suprema Corte dos Estados Unidos da América do Norte, que no célebre caso Marbury versus Madison proclamou que a essência da liberdade civil está em o cidadão poder reclamar perante o Judiciário os danos imputados pelo Estado.
A imprensa e algumas autoridades de ocasião, oportunistas, corvos, aves de rapina, que querem ficar bem na foto, e seguem a “opinião geral da maioria”, que, na abalizada opinião de Nelson Rodrigues, é burra, e, se não é burra, ao menos ignorante é, prestariam melhor serviço à nação se ajudassem a construir um Judiciário forte, destemido, corajoso, ao invés de apequená-lo perante os cidadãos.
Uma juíza federal, cumpridora de seu trabalho e com a estatística em dia (zerada), diz que a Justiça Federal tem o pior marketing da história do mundo globalizado. E tem mesmo. Porque os juízes, embora tenham muitas vezes razão, não conseguem explicar, senão em juridiquês, as razões que têm.
O pior é que na Justiça “antiguidade é posto”, relegando-se o merecimento. Juízes que trabalham e estão com a estatística em dia, ganham o mesmo que juízes que não trabalham e acumulam 700 processos para sentença. Um horror. Os que trabalham e não se tornam “puxa-sacos de desembargadores” são esquecidos. Já os “Doutores Pangloss”, aqueles otimistas inveterados, que nada veem de errado com o sistema, que passam os seus dias nas salas e antecâmaras do tribunal, a fazerem a “boa política” do sou “fã de V. Exa”, esses sim alavancam vertiginosamente as suas carreiras, quando não conseguem licenças sem prejuízo dos vencimentos, para “se aprimorarem” em cursos no exterior.
Vamos discutir a realidade da Justiça. Mas sem fantasias. Com reconhecimento aos juízes que trabalham e são a maioria, e sem favorecimentos a juízes relapsos, que só envergonham a magistratura.

A rede Bandeirantes de Televisão - Bandeirantes

A rede Bandeirantes de Televisão - Band, fez uma matéria completa a respeito da polêmica Demarcatória da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, cujos resultados irão ao ar no Jornal da Band das 19h e 20 min, a partir do dia 11.07. até o dia 15.07.11.

Vale a pena conferir, pois o nosso estimado Gen Augusto Heleno acompanhou os reporteres da Band até a dita Reserva em Roraima. Peço que repassem para todos em suas redes, vamos ver os problemas a curto, médio e longo prazo, visto que o problema não é somente de Roraima, mas também de outros estados como Pará, Mato Grosso, caminhando para o Parana, colocando em risco a PRODUÇÃO de ALIMENTOS.A questão é bem simples, como o Brasil inteiro era TERRA INDÍGENA, então é valido DETONAR o BRASIL, expulsando todos os NÃO ÍNDIOS daquí SEM qualquer INDENIZAÇÃO preferencialmente, repetindo o processo da Raposa Serra do Sol ou de Mato Grosso.Pensem Nisso!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Propina até contra os desabrigados do Rio

Propina até contra os desabrigados do Rio
Foto: WILTON JUNIOR/AGÊNCIA ESTADO

RECONSTRUÇÃO DAS CIDADES ATINGIDAS PELA MAIOR TRAGÉDIA NATURAL DA HISTÓRIA DO PAÍS, COMO FRIBURGO E TERESÓPOLIS, NA SERRA FLUMINENSE, ESTÁ SUJEITA A UMA COMISSÃO DE 50%; UMA DAS EMPREITEIRAS FAVORECIDAS PERTENCE À QUEIROZ GALVÃO

247 – No início deste ano, o Brasil conheceu a maior tragédia natural de sua história, quando as chuvas devastaram diversas cidades da serra do Rio de Janeiro, como Nova Friburgo e Teresópolis. Mais de 900 pessoas morreram e a tragédia só não foi maior porque os bombeiros – recentemente chamados de “vândalos” pelo governador Sergio Cabral – salvaram centenas de vidas e brasileiros de várias regiões do País se mobilizaram numa onda inédita de solidariedade. Muitas dessas cidades ainda não foram plenamente reconstruídas. Longe disso. E agora se descobre que boa parte da verba que deveria estar sendo aplicada na reconstrução da serra fluminense, onde estão várias cidades históricas e turísticas, vem sendo desviada em propinas de até 50%.
A denúncia foi feita no jornal O Globo, numa reportagem de Antonio Werneck, publicada neste domingo. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o dono de uma construtora revelou que, na chuva que há seis meses matou mais de 900 pessoas na Região Serrana, um acerto entre empreiteiras e autoridades de Teresópolis subiu a taxa da propina de 10% para 50%. Em Friburgo, o município mais atingido pela enxurrada, uma empresa ganhou um contrato de mais de R$ 900 mil para prestação de serviços, apesar de estar proibida de participar de licitações. Até agora, o MPF da cidade já instaurou mais de dez inquéritos civis públicos para apurar denúncias de corrupção.
Em Teresópolis, a prefeitura é administrada pelo PT e a cidade recebeu um repasse de R$ 100 milhões, do Ministério da Integração Nacional, por determinação da presidente Dilma Rousseff. O empresário que participou do processo de delação premiada contou que o aumento da comissão – que passou de 5%, antes das chuvas, para 50% após a tempestade – foi determinado por dois secretários da prefeitura de Teresópolis: José Alexandre (Governo) e Paulo Marquesine (Obras). Abaixo, trechos da reportagem de Antonio Werneck:
“Segundo o denunciante, três empresas (RW de Teresópolis Construtora e Consultoria Ltda; Vital Engenharia Ambiental S/A, do grupo Queiroz Galvão; e Terrapleno Terraplanagem e Construção Ltda) seriam as principais beneficiadas. Ainda de acordo com o seu relato, a RW e a Vital ficariam encarregadas da retirada de entulho e da desobstrução de ruas. Já a Terrapleno ficaria com a coleta de lixo, com auxílio da Vital, que cuidaria da instalação de um aterro. Uma quarta empresa, a Contern Construções e Comércio Ltda, de São Paulo, também teria recebido recursos do município, mas não é citada pelo empresário.
As denúncias foram feitas na sede da Procuradoria da República de Teresópolis, aumentando o número de informações de um inquérito civil público que já apurava o suposto desvio de dinheiro público e a não realização de obras contratadas na cidade. O procurador da República Paulo Cezar Calandrini, que cuida do caso, disse que não poderia falar do assunto porque o inquérito corria em segredo de Justiça.
Denúncias de irregularidades e suspeitas de corrupção também atingiram Nova Friburgo, o município que mais sofreu, em área urbana, com o temporal do início do ano, tendo recebido R$10 milhões - a maior fatia das verbas federais enviadas às cidades da região. Até agora, o MPF na cidade já instaurou mais de dez inquéritos civis públicos e promete outros, cobrando explicações da prefeitura. O caso mais grave aponta para funcionários da Fundação Municipal de Saúde (FMS), que autorizaram, no meio tragédia, o pagamento, sem licitação, de mais de R$ 900 mil a uma empresa do Rio, a Spectru Instrumental Científico Ltda. O contrato previa que a empresa faria a manutenção e a conservação de equipamentos da rede municipal de saúde atingidos pela enxurrada.
Os procuradores da República que atuam no município descobriram que a Spectru já tinha vencido, em 2010, uma concorrência para prestar basicamente os mesmos serviços (manutenção de equipamentos hospitalares) por um terço do valor total. O processo seletivo acabou anulado porque empresas participantes provaram na Justiça que a Spectru estava impedida de concorrer em qualquer licitação no estado - por não ter cumprido os termos do contrato de outra concorrência.
Em abril, o MPF de Friburgo já havia instaurado um inquérito civil público para apurar a lentidão da prefeitura para informar como estava usando verbas federais no município. No mês passado, em outra ação do MP, a Justiça determinou que a Fundação Municipal de Saúde suspendesse o pagamento de quase R$ 2,9 milhões a quatro empresas para obter material médico-hospitalar. Os procuradores da República também descobriram que as compras foram autorizadas sem um pedido prévio do chefe do almoxarifado central da FMS.
- A grosso modo, é o mesmo que você ir ao supermercado e encher um carrinho de compras sem antes saber o que realmente está faltando em sua casa - disse o procurador Marcelo Borges de Mattos Medina.
As suspeitas de fraudes com o dinheiro público recaem ainda sobre outros cinco municípios da região atingidos pelas enxurradas: Petrópolis, Sumidouro, Areal, Bom Jardim e São José do Vale do Rio Preto, que teriam recebido um total R$13 milhões do governo federal, mas até hoje não prestaram contas de como gastaram a verba. As investigações sobre possíveis irregularidades respingam ainda nas secretarias de Obras e de Assistência Social e Direitos Humanos do governo do estado. Os dois órgãos ficaram encarregados de aplicar nos municípios serranos recursos da ordem de R$70 milhões enviados pela União. Segundo procuradores do MPF que atuam da região, somente na última sexta-feira o governo estadual enviou informações sobre os serviços que contratou. Esses dados ainda serão analisados. Já os municípios não prestaram informações satisfatórias.”


domingo, 10 de julho de 2011

Mais um megaescândalo: desta vez, no pré-sal

Mais um megaescândalo: desta vez, no pré-sal
Foto: DIVULGAÇÃO

EMPRESA DO SENADOR EUNÍCIO OLIVEIRA, QUE É TAMBÉM TESOUREIRO DO PMDB, SOUBE COM ANTECEDÊNCIA DE QUEM PARTICIPARIA DE UMA DISPUTA NA PETROBRAS; COM AS INFORMAÇÕES, FEZ UM ACERTO COM OS CONCORRENTES E LEVOU O CONTRATO DE R$ 300 MILHÕES

247 – O escândalo do Ministério dos Transportes ainda não esfriou e um novo já toma o seu lugar. Desta vez, o epicentro é a Petrobras. E o mais grave é que se trata de um campo exploratório na região do pré-sal, em Campos, no Rio de Janeiro. Uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo, que chegará às bancas neste domingo, revela que a empresa Manchester Serviços Ltda, que pertence ao senador cearense Eunício Oliveira, obteve informações privilegiadas da Petrobras, para fechar um contrato de R$ 300 milhões. Eunício Oliveira é também tesoureiro do PMDB. Estima-se que o superfaturamento tenha sido de R$ 64 milhões.
A licitação em questão tinha o número 0903283118. Antes do resultado, a empresa de Eunício teve a relação dos concorrentes que participariam da disputa, voltada para consultoria e gestão empresarial. Em seguida, procurou as empresas para fazer um acerto. Das sete companhias que participariam da disputa, apenas a Seebla ficou fora do esquema. E apresentou uma proposta de R$ 235 milhões, enquanto a da Manchester, de Eunício, foi de R$ 299 milhões. Apesar disso, a Seebla foi desclassificada pela Petrobras. Um diretor de uma das concorrentes, que pediu anonimato, afirmou ao Estado de S. Paulo que a empresa de Eunício ofereceu R$ 6 milhões pela desistência na licitação.
Procurada pela reportagem, a Petrobras limitou-se a dizer que desconhece qualquer acerto havido entre concorrentes. Tanto a Manchester quanto o senador Eunício Oliveira preferiram não comentar o caso. O contrato, no entanto, ainda pode ser suspenso. Embora tenha sido ganho pela Manchester, ele ainda não foi assinado. Seu prazo é de dois anos, prorrogáveis por mais dois. Difícil é entender o que a Petrobras tem a ganhar com uma consultoria do tesoureiro do PMDB.

sábado, 9 de julho de 2011


Venezuela vai às urnas amanhã enquanto relatório da ONU diz que o país tem papel-chave no tráfico de drogas

Às vésperas das importantes eleições legislativas de amanhã, domingo, na Venezuela, circulam com intensidade, por obra da oposição e de ONGs, notícias desabonadoras provenientes da ONU sobre o papel do país no tráfico internacional de drogas.
Houve uma “deterioração” no combate ao narcotráfico na Venezuela do presidente Hugo Chávez, afirma o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc, sigla em inglês) da ONU. O país, continua o organismo, foi “ponto de origem de mais da metade dos carregamentos de cocaína interceptado no Atlântico nos últimos anos”.
Curiosamente, o órgão da ONU constatou que os embarques provenientes da Colômbia, maior produtor mundial da droga, “representaram apenas 5% do total”.
A Venezuela seria também a origem de “todas as remessas aéreas clandestinas de cocaína detectada na África Ocidental” e de vôos destinados a pistas clandestinas na América Central, especialmente em Honduras. Os países da África Ocidental, em geral ditaduras sem lei e onde grassa a corrupção, são os entrepostos para que a coca chegue à Europa. Honduras integra a rota para o mercado americano.
CHÁVEZ FAZ COMO LULA – O presidente Hugo Chávez que, como Lula no Brasil, percorreu o país inteiro fazendo propaganda para seus candidatos, alega que o país é na verdade “vítima” do narcotráfico, por se encontrar justamente no meio da rota entre o maior produtor mundial de coca, a Colômbia, e o maior mercado consumidor, os Estados Unidos. O informe da ONU “não corresponde à realidade”, disse Chávez, pedindo que seja retificado.
Não se sabe que impacto podem ter essas informações junto aos 17,5 milhões de eleitores venezuelanos, que estão desde ontem, sexta-feira, vivendo os chamados “dois dias de reflexão” antes de ir às urnas para eleger os 165 deputados da Assembléia Nacional. A Assembléia é dominada por partidos pró-Chávez depois que a oposição, em 2005, cometeu a loucura de boicotar as eleições daquele ano.
A OPOSIÇÃO E A “REVOLUÇÃO BOLIVARIANA” – Agora reunidos em maioria na chamada Mesa da Unidade Democrática, os partidos de oposição têm como meta impedir Chávez de alcançar maioria de dois terços (110 deputados), que lhe permitiria continuar fazendo o que tem feito até agora – o que lhe dá na telha e o aprofundamento, sabe Deus para onde, da chamada “revolução bolivariana” que iniciou há 11 anos.
Já chegaram a Caracas quase todos os 150 observadores internacionais que acompanharão as eleições, a convite da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), o que não retirou o temor da oposição sobre a plena lisura do pleito: 250 mil homens das politizadas Forças Armadas venezuelanas e mais 30 mil milicianos chavistas serão encarregados de “garantir a liberdade de voto”.

Venezuela vai às urnas amanhã enquanto relatório da ONU diz que o país tem papel-chave no tráfico de drogas

Às vésperas das importantes eleições legislativas de amanhã, domingo, na Venezuela, circulam com intensidade, por obra da oposição e de ONGs, notícias desabonadoras provenientes da ONU sobre o papel do país no tráfico internacional de drogas.
Houve uma “deterioração” no combate ao narcotráfico na Venezuela do presidente Hugo Chávez, afirma o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc, sigla em inglês) da ONU. O país, continua o organismo, foi “ponto de origem de mais da metade dos carregamentos de cocaína interceptado no Atlântico nos últimos anos”.
Curiosamente, o órgão da ONU constatou que os embarques provenientes da Colômbia, maior produtor mundial da droga, “representaram apenas 5% do total”.
A Venezuela seria também a origem de “todas as remessas aéreas clandestinas de cocaína detectada na África Ocidental” e de vôos destinados a pistas clandestinas na América Central, especialmente em Honduras. Os países da África Ocidental, em geral ditaduras sem lei e onde grassa a corrupção, são os entrepostos para que a coca chegue à Europa. Honduras integra a rota para o mercado americano.
CHÁVEZ FAZ COMO LULA – O presidente Hugo Chávez que, como Lula no Brasil, percorreu o país inteiro fazendo propaganda para seus candidatos, alega que o país é na verdade “vítima” do narcotráfico, por se encontrar justamente no meio da rota entre o maior produtor mundial de coca, a Colômbia, e o maior mercado consumidor, os Estados Unidos. O informe da ONU “não corresponde à realidade”, disse Chávez, pedindo que seja retificado.
Não se sabe que impacto podem ter essas informações junto aos 17,5 milhões de eleitores venezuelanos, que estão desde ontem, sexta-feira, vivendo os chamados “dois dias de reflexão” antes de ir às urnas para eleger os 165 deputados da Assembléia Nacional. A Assembléia é dominada por partidos pró-Chávez depois que a oposição, em 2005, cometeu a loucura de boicotar as eleições daquele ano.
A OPOSIÇÃO E A “REVOLUÇÃO BOLIVARIANA” – Agora reunidos em maioria na chamada Mesa da Unidade Democrática, os partidos de oposição têm como meta impedir Chávez de alcançar maioria de dois terços (110 deputados), que lhe permitiria continuar fazendo o que tem feito até agora – o que lhe dá na telha e o aprofundamento, sabe Deus para onde, da chamada “revolução bolivariana” que iniciou há 11 anos.
Já chegaram a Caracas quase todos os 150 observadores internacionais que acompanharão as eleições, a convite da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), o que não retirou o temor da oposição sobre a plena lisura do pleito: 250 mil homens das politizadas Forças Armadas venezuelanas e mais 30 mil milicianos chavistas serão encarregados de “garantir a liberdade de voto”.