sábado, 19 de maio de 2012

Veja a lista de citados em grampos de Cachoeira com 82 nomes

ANDREZA MATAIS
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
Atualizado às 16h33.
Em depoimento sigiloso à CPI do Cachoeira, o delegado Matheus Mela Rodrigues, que coordenou a Operação Monte Carlo, citou uma lista com 82 nomes que tiveram relações ou foram apenas citados em conversas de Carlos Augusto Ramos, O Carlinhos Cachoeira.
A lista inclui os nomes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), de governadores, senadores, deputados federais, prefeitos e até mesmo da presidente Dilma Rousseff.
O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), fez um apelo aos parlamentares para que não comentassem com a imprensa os nomes da lista, uma vez que o fato de estarem citados em conversas do grupo não significa que tenham envolvimento com o esquema de Cachoeira. Os nomes podem ter sido usados pelo grupo do contraventor sem conhecimento dos citados.
Na lista faltam nomes de pessoas que já foram citadas em gravações que vazaram, como do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por exemplo, citado em áudios da operação Monte Carlo.
O delegado cuidou da Operação Monte Carlo, deflagrada em novembro de 2010 e que resultou na prisão de Carlinhos Cachoeira e membros de seu grupo em fevereiro deste ano. Os 82 nomes citados se referem a esta operação, e não à Vegas, ação policial semelhante encerrada em 2009.
A Folha teve acesso a lista dos nomes citados pelo delegado. Constam três ministros do STF, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli; dos governadores Antonio Anastasia (PSDB-MG), Marconi Perillo (PSDB-GO), Beto Richa (PSDB-PR) e Agnelo Queiroz (PT-DF). O nome do presidente do Senado, José Sarney também está na lista.
A CPI mista no Congresso investiga as relações do grupo de Cachoeira com agentes públicos e privados.
Veja lista que a Folha conseguiu identificar de deputados federais, senadores, ministros e governadores citados na lista por odem alfabética:
Senador Aécio Neves (PSDB-MG)
Deputado distrital do DF Agaciel Maia (PTC-DF)
Governador Agnelo Queiroz (PT-DF)
Presidente DEM-DF Alberto Fraga
Secretário de Indústria e Comércio de Goiás Alexandre Baldy
Governador de Minas Gerais Antonio Anastasia
Suplente de senador Ataides de Oliveira
Procurador-geral da Justica de Goiás Benedito Torres
Governador do Paraná Beto Richa (PSDB)
Senador Blairo Maggi (PR-MT)
Senador Demostenes Torres (sem partito-DF)
Diretor da Delta Carlos Pacheco
Diretor Regional da Delta no Centro-Oeste Claudio Abreu
Jornalista Claudio Humberto
Ex-chefe de gabinete de Agnelo Queiroz Claudio Monteiro
Ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli
Presidente Dilma Rousseff
Ex-presidente do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso
Ex-senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB)
Ex-chefe de gabinete do governo de Goiás Eliane Pinheiro
Vereador de Goiânia Elias Vaz (PSOL)
Secretário Estadual de Comunicação de Santa Catarina Ênio Branco
Dono da construtora Delta Fernando Cavendish
Vereador de Anápolis Fernando Cunha
Presidente da Caesb Fernando Leite
Prefeito de Águas Lindas (GO) Geraldo Messias (PP)
Prefeito de Nerópolis (GO) Gil Tavares (PTB)
Deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR)
Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes
Diretor da Delta na região Sul e em São Paulo Heraldo Puccini
Policial Militar, assessor do senador Demóstenes, Hrillner Ananias
Presidente da Agetop Jayme Rincon
Ex-sub-secretário de Esportes do DF João Carlos Feitosa, o Zunga
Secretário de Segurança de Goiás João Furtado
Jornalista João Unes
Diretor do Serviço de Limpeza Urbana do DF João Monteiro Neto
Jornalista Jorge Cajuru
Prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela (PMDB)
Deputado federal Sandes Junior (PP-GO)
Senador Jose Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado
Vice-governador de Goiás José Eliton (DEM)
Desembargador do TRT de Goiás Julio Cesar Brito
Deputado federal Jovair Arantes (PP-GO)
Deputado federal Leonardo Vilela (PMDB-GO)
Presidente do PRTB Levy Fidelis
Ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux
Governador Marconi Perillo (PSDB-GO)
Deputado federal Marcos Monti (DEM-MG)
Jornalista Mino Pedrosa
Diretor da Anvisa Norberto Rech
Jornalista Policarpo Jr, da revista Veja
Deputado federal Protogenes Queiroz (PC do B-SP)
Deputado distrital do DF Raad Massouh (PPL)
Secretário de Segurança do Paraná Reinaldo Sobrinho
Deputado federal Stephan Necessian (PPS-RJ)
Jornalista Renato Alves
Ex-procurador-geral do Estado de Goiás Ronald Bicca
Vereador em Goiânia Santana Gomes
Vice-governador do DF Tadeu Fillipeli (PMDB-DF)
Vereador em Anápolis Wesley Silva
Secretário de infra-estrutura de Goiás Wilder Morais
Ex-comandante da PM de Goiás Carlos Antonio Elias
Ex-governador de Tocantis Marcelo Miranda (PMDB)
Prefeito de Anápolis Antonio Gomide (PT)
Ex-vereador de Goiania e apontado como braço político do grupo de Cachoeira, Wladimir Garcêz
 
 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Comissão de Ética do Planalto é uma piada

Carlos Newton
Não dá para levar a sério a Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Em sua mais recente reunião, segunda-feira, os integrantes concordaram em aplicar uma censura ética ao ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci, por omissão das consultorias que havia prestado na Declaração Confidencial de Informações (DCI), documento que toda autoridade deve entregar à comissão quando assume o cargo.
A decisão equivale à absolvição de um político que usou o serviço público para fazer flagrante tráfico de influência. Mas o que esperar de uma comissão que não teve vergonha de punir com o mesmo rigor uma ministra corrupta como Erenice Guerra, que transformou a Casa Civil num balcão de negócios da família?
A “punição” a Palocci não tem a menor aplicação prática, a ficha dele continua limpa (?), indicando apenas que a Comissão concluiu que ele errou em não informar seus rendimentos.
É a segunda vez que a comissão aplica censura ética a Palocci depois que ele deixou o cargo, em junho do ano passado. A censura não implica, na prática, nenhuma restrição contra o ex-ministro. Apenas haverá o registro formal de que ele teve problemas éticos no exercício do cargo, mas isso não impede, por exemplo, que ele seja nomeado para um cargo público. Só fica o registro de que errou ao omitir o serviço de consultoria.
Palocci caiu em meio a suspeitas sobre o crescimento de seu patrimônio entre 2006 e 2010, quando fazia consultorias privadas. Também pesou contra ele o aluguel de um imóvel, em São Paulo, registrado em nome de uma empresa controlada por um laranja. Mas nada disso interessou à Comissão de Ética.
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IDELI INOCENTADA
A Comissão arquivou o procedimento preliminar contra a Ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pela compra de lanchas quando ela estava a frente do Ministério da Pesca. A decisão considera que ela apresentou uma defesa prévia com argumentos e porque ela sequer foi citada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que está analisando as irregularidades na compra das lanchas.
O processo contra a ministra Ideli foi aberto acatando representação do PSDB, por causa da compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca, que não usa esse tipo de embarcação e teve de doá-las à Marinha. Além disso, a empresa Intech Boating, fabricante das lanchas, contribuiu com recursos para a campanha do PT, em Santa Catarina, nas eleições de 2010, quando Ideli concorreu ao governo do estado. Para a Comissão de Ética, tudo normal, porque a compra das lanchas ocorreu na gestão anterior e a então ministra Ideli apenas pagou a fatura.
Vamos aguardar agora o “julgamento” do ministro Fernando Pimentel, mais um “consultor” do tráfico de influência que se tornou praxe na política brasileira.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O dia seguinte pior do que a véspera

Carlos Chagas
Ou ficamos com mestre Hélio Fernandes, para quem “no Brasil o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera”, ou com o Tiririca, aquele do “pior não fica”. Alternativas inexistem para essas duas evidências.
A CPI do Cachoeira vai devagar, quase parando, em especial depois que o Supremo Tribunal Federal, intrometendo-se em questões do Legislativo, suspendeu o depoimento do bicheiro, marcado para ontem. Pode ter sido legal a decisão do ministro Celso de Mello, mas lógica, jamais. Afinal, a oitiva de Carlinhos Cachoeira marcaria o real início dos trabalhos da CPI.
No rol dos malfeitos, não faltou o gesto do presidente da CPI, senador Vital do Rego, negando ao advogado de Cachoeira acesso aos documentos arrolados contra ele. Afinal, o direito de defesa só pode ser exercido quando se conhece a acusação.
Tem mais, em termos de distorções: em vez de centralizar sua ação em torno de Cachoeira, mesmo sem o depoimento dele, para apurar suas ligações espúrias com políticos, governantes e empresários, a CPI faz do Procurador Geral da República seu alvo principal. Por que? Por não haver denunciado o senador Demóstenes Torres em 2009, mas apenas agora, em 2012.
Só isso? Nem pensar. A Comissão da Verdade, a ser instalada hoje, começa dividida e sem saber para onde vai. Um dos seus sete integrantes, José Carlos Dias, defende que as investigações se estendam a quantos praticaram crimes de tortura, seqüestro e assassinato, quer dizer, não apenas os agentes do estado, durante a ditadura militar, mas também “o outro lado”, isto é, os envolvidos em atos terroristas. Já seu colega, Paulo Sergio Pinheiro, chama publicamente de “bobajada” essa sugestão, sustentando que os terroristas já foram julgados, condenados e punidos.
Não param aí os bate-cabeças. Tanto a CPI quanto a Comissão da Verdade adotam a prática obscura de realizar sessões secretas, sonegando à sociedade o conhecimento das apurações. Ambas as atividades precisariam transcorrer às claras, acompanhadas pelos meios de comunicação. Seus responsáveis preferem agir na sombra, como cidadãos acima do bem e do mal.
Acresce que o Conselho de Ética Pública da Presidência da República acaba de produzir uma “censura ética” a Antônio Palocci. O que será essa suposta punição? O ex-ministro estará morrendo de rir ao tomar conhecimento da inócua decisão. Deveria no mínimo ter suas lambanças encaminhadas ao Ministério Público, para providências, acusado de traficar influência e amealhar milhões em atividades pouco claras de “consultoria” a empresas com as quais se relacionou enquanto titular da Fazenda.
Em suma, trapalhadas e interesses partidários desmoralizam as iniciativas do poder público nas suas três esferas, ou seja, Legislativo, Executivo e Judiciário. Pior não fica, ou o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Em matéria de cara-de-pau, o governador Agnelo Queiroz é mesmo insuperável

Carlos Newton

Acusado das mais diversas irregularidades, desde os tempos em que ainda era filiado ao PCdoB e ocupava uma das diretorias da Anvisa (Vigilância Sanitária), passando depois pelo Ministério do Esporte até chegar ao governo do Distrito Federal, já pela legenda do PT e sempre acumulando cada vez mais denúncias, o governador Agnelo Queiroz agora diz que pode ir depor na CPI do Cachoeira para dar o “bom exemplo” de um contrato assinado com a construtura Delta, vejam só a que ponto chegamos.
“Se eu for convidado, posso ir à CPI”, disse ele ao repórter Filipe Coutinho, da Folha, acrescentando que poderia explicar como o contrato assinado com a Delta representou uma economia de 40% para os cofres públicos.
O governador é um cara-de-pau ou um tremendo gozador. Em Brasília, todos sabem que o PT está pouco ligando para ele. Pelo contrário, está dando as costas para o neopetista. Recentemente, o Planalto e o PT o obrigaram a nomear para a Casa Civil um ex-assessor de Dilma Rousseff e de Lula, Swedenberger Barbosa, braço direito da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. O motivo foi justamente a Operação Monte Carlo, que detonou o escândalo de Carlinhos Cachoeira.
O Palácio do Planalto já sinalizou, através do ministro Gilberto Carvalho, que entregaria Agnelo Queiroz à própria sorte. Mas a estratégia do PT comandada por José Dirceu foi a de nomear o interventor, como chefe da Casa Civil, na tentativa de estancar a sangria que Agnelo vem provocando na Capital da República desde a posse no início de 2011.
Outro agravante: o chefe de gabinete de Agnelo, Cláudio Monteiro, pediu afastamento do cargo após ser citado em conversas telefônicas de pessoas do grupo de Cachoeira. Em uma das conversas, é discutido um suposto pagamento de propina a Monteiro pelo sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, e Cláudio Abreu, então diretor da Delta.
Monteiro também é citado com um dos que teriam celular antigrampo. Ele nega envolvimento com o grupo acusações, mas admite que se encontrou com Dadá por duas vezes, na condição de funcionário da Delta, empresa que faz a coleta do lixo em Brasília.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dilma e Lula estão para Jango assim como Zé Dirceu está para Brizola



Entenda por que José Dirceu montou a tresloucada operação para tentar se safar no Supremo, sem poupar STF, PGR ou imprensa. Ele quer mais do que a absolvição. Ele quer é, finalmente, ter o controle total do PT.
Ai, ai, terei de apelar a um autor que eles julgam “deles”, mas que José Dirceu certamente não leu porque não consta que o folgazão tenha sido um socialista muito disciplinado. No “18 Brumário”, ao esculhambar Luís Bonaparte — o sobrinho de Napoleão, que tentava viver como farsa as glórias do tio — escreveu Marx, acusando-o de se ligar à pior escória e formar um exército informal de vagabundos e desclassificados:
“(…) só quando ele próprio assume a sério o seu papel imperial, e sob a máscara napoleônica imagina ser o verdadeiro Napoleão, só aí ele se torna vítima de sua própria concepção do mundo, o bufão sério que não mais toma a história universal por uma comédia e sim a sua própria comédia pela história universal.”
A tirada serviria tanto para definir Luiz Inácio Lula da Silva como José Dirceu. O primeiro, no entanto, já está virando história (e esse fato é central nesta pantomima) — e fatalmente chegará o tempo em que será revisitado, por mais que o país emburreça. A caracterização da personagem patética, que faz de si mesmo uma imagem que os fatos se negam a referendar, serve hoje como a luva em José Dirceu, certamente o elemento mais deletério do petismo porque não carrega consigo nem mesmo a marca de certa inovação que Lula, sem dúvida, representou num dado momento da história — depois o sindicalista se perdeu e se dedicou à construção do aparelho partidário que ambicionaria, como ambiciona, substituir a sociedade.
Dirceu, com o aporte de Lula, está na raiz de uma frenética movimentação para tentar desmoralizar as i nstituições brasileiras. Nada escapa ao seu radar, como aqui se vem dizendo desde o fim de março: Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal e, obviamente, a imprensa. A exemplo de Luís Bonaparte, também tem a sua escória: o subjornalismo pistoleiro — em versão impressa e eletrônica — e uma gangue organizada para patrulhar a Internet e constituir uma enorme rede de difamação de adversários. O objetivo é um só: demonstrar que ninguém tem autoridade moral no país para condená-lo e aos demais quadrilheiros (como os caracterizou a Procuradoria Geral da República).
Todas as acusações que há contra a turma — escandalosamente recheadas de EVIDÊNCIAS E CONFISSÕES, c omo a feita por Duda Mendonça — seriam fruto de uma grande conspiração. Não por acaso, Rui Falcão, presidente do PT, a lorpa da democracia e do estado de direito, saiu atirando contra a o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e contra a imprensa. “Contra a imprensa, não, contra a VEJA!”, diria um bobinho. Isso é bobagem! Podem ter lá a sua hierarquia de desafetos dentro do ódio geral. Mas o ódio que cultivam é à liberdade de expressão. Basta que lembremos quantas vezes eles tentaram criar mecanismos para censurar o jornalismo. Lula teria feito a promessa solene a alguns interlocutores que ainda conseguirá esse intento antes de sair de cena. Na semana passada, Falcão anunciou que a “mídia” será o próximo alvo do governo Dilma. Consta que falou por sua própria conta. De todo modo, o dinheiro público continua a financiar a esgotosfera, prática inexistente nas demais democracias do do mundo. Sigamos.
Povo nas ruasO “Zé” agora deu para espalhar por aí, com convicção mesmo, a seus interlocutores que “a sociedade não aceitará a sua condenação” e que, se isso acontecer, “haverá reação”. É mesmo? Reação de quem? Dirceu está confundindo a súcia virtual criada pelos seus sequazes, que finge formar um exército de milhões na Internet, com pessoas de verdade. Quem irá às ruas por José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino? Ousaria dizer que, hoje, nem mesmo o sindicalismo da CUT, que sabe ser pragmático quando interessa, se apressaria mover uma palha em favor deste senhor.
Por que tanto desespero?Lula e Dirceu se uniram nessa batalha por motivos diferentes. O primeiro não quer que seu governo fique com a marca de ter protagonizado o maior escândalo da história republicana. Se for superado, será pelo próprio petismo — algo me diz que, bem investigada, as relação do governo federal com a Delta pode disputar o primeiro lugar. Lula já reescreveu o passado, fez com o presente o que bem quis — porque boa parte da crítica política houve por bem suspender o juízo — e agora pretende aprisionar o futuro. Tem alma de ditador, mas contida por uma instit ucionalidade que nunca foi de seu agrado. De todo modo, está de olho na história.
Dirceu não! Dirceu está mesmo é de olho num, como direi, futuro mais próximo, que já começa a ser pr esente.  Lula, é fato, perdeu muito de seu vigor. Ainda que venha a recobrar  a saúde possível, já não é mais aquela força da natureza. Poucos se deram conta de que o PT começa a ensaiar os primeiros passos da sucessão — não sucessão formal, claro! Esta é irrelevante. O partido começa a dar os primeiros passos em busca da nova força unificadora. A máquina é gigantesca, e esse é um processo muito lento.
Atenção! Não se trata de buscar um novo Lula — isso não haverá, como não houve um novo Getúlio Va rgas (Emir Sader, o apedeuta diplomado, escreve “Getulho”!!!). Trata-se de consolidar posições para liderar uma era partidária pós-Lula. Se José Dirceu for condenado — e, acreditem, há mais gente no PT torcendo por isso do que no PSDB!!! —, é evidente que ele e seu grupo perdem força. Ninguém se candidata a liderar uma das maiores legendas no país com uma condenação das costas de “chefe de quadrilha”. Gente com essa denominação merece é aquele terno listrado.
O Zé não está apenas querendo limpar a sua biografia ou pensando, sei lá, em obter ganhos pessoais. Ne ssa área, ele é um portento, não é mesmo? Já foi até consultor da construtora… Delta! Nada disso! O Zé quer é o poder mesmo! Se não for ele a liderar esse PT pós-Lula, pensa lá com seus botões, será quem? Sabe que a eventual condenação no Supremo provocará a deserção de alguns de seus generais. O Zé precisa da absolvição para travar a luta interna, que fatamente virá.
Perderam o juízo e a vergonhaDaí o vale-tudo. Essa gente perdeu o que restava de juízo e também a vergonha. E anda falando demais! Aqui e ali, os supostos votos no Supremo estão sendo cantados e anunciados como se a Corte fosse a casa da mãe-joana, e os ministros pudessem ser separados entre aqueles que estão enquadrados e aqueles que não estão. Prefiro pensar que isso tudo é fantasia e uma forma de difamação da corte. Nesse sentido, a defesa que ministros do Supremo fizeram ontem de Gurgel foi positiva.
Eis Dirceu! Na luta pelo poder, este senhor não mede consequências. O que o Supremo vai decidir, além d a sua culpa ou da sua inocência perante a Justiça (e que os ministros decidam segundo os autos), é se o Brasil continuará ou não sujeito a seus métodos e à sua comédia pessoal, vivida como se fosse a história universal.
Por Reinaldo Azevedo

Destino da CPI está nas páginas dos jornais e revistas


Pedro do Coutto

O deputado Rui Falcão, presidente nacional do PT, transformou-se num personagem tragicômico da política brasileira por sua obsessão em violar a Constituição e controlar a imprensa, o que é impossível, e de se empenhar, contrariando a presidente Dilma Roussef, para que o Supremo absolva os réus do mensalão. Para isso, sob o ângulo em que se coloca, inclui como degrau a ser galgado, direcionar os trabalhos da CPI que investiga as múltiplas atividades de Carlos Ramos Cachoeira no sentido de que focalize somente figuras do PSDB, e vôos de tucanos e pemedebistas nas asas de Fernando Cavendish. Ridículo.
A reportagem da Revista Veja que está nas bancas, revela que ele espalha notícias através dos meios existentes na internet. Não adianta nada. Trata-se de um combate político. E os combates políticos são travados e decididos nas páginas dos jornais e revistas. Não nas telas eletrônicas.
As matérias para repercutir de fato na opinião pública têm que sair no Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo. E nas Revistas Veja e Época. No caso da Época porque ela pertence a O Globo. Não funciona, como a Veja em reportagem não assinada publicou, espalhar insetos eletrônicos por aí. Como igualmente não surtem efeito blogs direcionados previamente.
Os leitores sentem e traduzem as intenções que se revelam na sombra. Isso enfraquece totalmente a comunicação dirigida. O que não for claro e livre de amarrações não imprime na consciência. É exatamente o caso da matéria paga. Quem vai comprar um espaço para ser isento em relação a si mesmo? Ninguém.
Os jornais da Band e da Rede Globo, noite de sábado, noticiaram que a CPI pediu ao STJ a quebra do sigilo bancário, fiscal e também telefônico de Carlos Cachoeira. Trata-se de forte golpe contra todos os que se envolveram na teia que costurou no país, já que suas vinculações diretas e indiretas vão surgir. Nesse propósito, cito frase famosa do cientista ítalo-americano Enrico Fermi, que integrou o Projeto Manhattan, da construção da bomba atômica: “O que existe aparece”, disse ele.
A afirmativa é simples e magistral. Se o que existe aparece, a maior parte da verdade vai emergir em decorrência da quebra de sigilo. Sobretudo a ação ilegal dos doleiros, sem os quais a corrupção perde a principal de suas estradas.
O mesmo raciocínio aplica-se ao Mensalão de 2005 que culminou com a demissão de José Dirceu da Casa Civil de Lula e a cassação de seu mandato parlamentar pela maioria absoluta da Câmara dos Deputados. Uma questão de lógica, palavra para a qual não existe sinônimos. Se prestígio tivesse com o presidente da República, Dirceu não teria seus direitos políticos suspensos por oito anos.
Como digo sempre, não se pode ver apenas os fatos. Mas também nos fatos. E não adianta brigar com eles ou negá-los. Tem que se partir deles. Em todos os setores.
Tanto na arte, quanto na ciência e na política. O ser humano, personagem e analista de si mesmo, começa qualquer observação com base na realidade. Nem Shakespeare e Chaplin escaparam dessa regra. Não há de ser Rui Falcão, com seus insetos eletrônicos, que vai superar a lei da gravidade. Ela se impõe por si mesma. O palco são as páginas da imprensa escrita. Não as telas da Internet.

sábado, 12 de maio de 2012

Copa 2014: Dilma dá cartão amarelo para Ronaldo, Bebeto e Aldo Rebelo


Pedro do Coutto

Cartão amarelo para os apontados no título, sem dúvida, advertência constrangedora. A presidente Dilma Roussef agiu correta e oportunamente ao decretar a intervenção do Palácio do Planalto no Comitê Organizador da Copa do Mundo. Até agora ele não conseguiu organizar nada. Herança de Ricardo Teixeira, não estava funcionando.
Ronaldo e Bebeto sequer chutaram em gol. Tampouco Aldo Rebelo, ministro do Esporte. Apatia geral, os poucos movimentos feitos foram perdidos no espaço sem progressão. Cartão amarelo também para José Maria Maurin, presidente da CBF.
Não chutaram. Tanto assim que as obras dos estádios, a começar pelo Maracanã, Estádio Mario Filho, encontram-se atrasadas. E muito. Pois é preciso levar em conta que, antes de 2014, está programada para 2013, ano que vem, a Copa das Confederações. Falta pouco mais de doze meses para se realizar. Vexame internacional enorme se os campos não ficarem prontos a tempo. A presidente da República está política e administrativamente comprometida com a data. Aliás as datas.
A tradicional atitude do deixa para amanhã está predominando relativamente aos trabalhos. Não houve sequer critério adequado de seleção quanto às empreiteiras contratadas. Influências sombrias principalmente em torno do Maracanã. A presença da Delta, envolvida em tantas confusões, atesta a desorientação da equipe responsável pelo destino das duas Taças.
Excelente reportagem de Deborah Berlinck, O Globo de quarta-feira expôs todo o impasse à opinião pública. Foto de Fabrice Cofrini acompanha a matéria. A desorganização do Comitê Organizador é tão grande que a presidente da República nomeou Luís Fernandes, secretário executivo do Ministério do Esporte para presidir o grupo que, agora, pela vontade da chefe do Executivo passa a ser de trabalho e ação. Não de omissão.
Vale dizer que era difícil o Comitê se organizar. Ronaldo Fenômeno, no momento, é empresário de espetáculos esportivos, incluindo as lutas de ultimate combat. Como conciliar seus múltiplos interesses empresariais com os interesses do país num acontecimento da dimensão da Copa do Mundo? Uma pergunta incômoda.
Bebeto é deputado estadual no Rio de Janeiro. Inclusive Ronaldo e Bebeto, inevitavelmente, defrontam-se com problemas de tempo para trabalhar no Comitê que, no momento, lhes foge das mãos. Aldo Rebelo foi igualmente ultrapassado pela escalação de Luís Fernandes. Este estava subordinado a ele, era a segunda pessoa do Ministério do Esporte. Agora passou a ser a primeira.
Rebelo sofreu rebate em matéria de hierarquia, sobretudo porque, segundo Deborah Berlinck, Dilma coloca toda a sua confiança no desempenho de Fernandes. Não na atuação do próprio ministro da pasta. Ronaldo Fenômeno e Bebeto, a meu ver, devem pedir demissão.
Por atitude política reflexiva foram considerados inaptos ou então pouco empenhados na tarefa que lhes foi atribuída. Não deram qualquer opinião ao longo dos meses em que foram nomeados por Ricardo Teixeira. Ronaldo Fenômeno limitou-se a aparecer em lances publicitários, usando sua imagem – pelo menos Ricardo Teixeira julgava assim – para cobrir a ausência de Pelé, adversário político do ex presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Como ficou nítido numa tarde de sábado, Hotel Windsor, Barra da Tijuca, quando foram sorteadas as chaves para 2014.
O mal estar tornou-se evidente. Dilma Roussef queria distância de Ricardo Teixeira. Pelé, é claro, percebeu. Ele e milhões de pessoas que acompanharam o confronto sem bola pela televisão. Mas a partir desta semana, um novo panorama se descortina. Uma alvorada realista surge para as Copas de 2013 e2014. Vamos ver.